Home Page
top  
 

O que é o transtorno da compulsão alimentar periódica?

São episódios de intenso descontrole alimentar, onde se consome milhares de calorias, em algumas horas, tal como ocorre na Bulimia Nervosa (leia mais a respeito em nosso arquivo). A única diferença é que quem sofre de transtornos alimentares não estimulam o vômito, nem fazem lavagem intestinal nem tampouco abusam de laxativos, diuréticos ou outras drogas para esvaziarem seu estômago. Por isso, tendem a ganhar peso, em geral, bastante, o que prejudica a saúde e a auto-imagem.

Para ser diagnosticado com transtorno da compulsão alimentar periódica, os episódios de comer descontroladamente devem ocorrer, em média, dois dias na semana por, pelo menos, seis meses.

Pessoas com este tipo de transtorno, geralmente, comem mais rápido que o normal; continuam a comer, mesmo quando se sentem empanturrados, e consomem grandes quantidades de comida, mesmo sem fome.

Costumam, também, comer sozinhas porque se envergonham da quantidade de comida que ingerem. Sentem-se chateadas, deprimidas e culpadas depois de cada episódio de exagero alimentar e juram que não vão fazer isso de novo. Mas não conseguem cumprir a promessa - porque isso é uma doença e não uma questão de força de vontade, como a maioria das pessoas pensa - e, logo, o exagero começa outra vez.

Esta incapacidade de parar leva à culpa, ansiedade e obsessão com comida que perpetuam o ciclo do transtorno.

As graves conseqüências dos transtornos alimentares

Um transtorno alimentar não é uma fase passageira. É uma doença duradoura que pode levar a sérias conseqüências médicas e psicológicas como a depressão, confusão e perda de concentração.

A anorexia pode causar batimentos cardíacos irregulares e pressão baixa com sensação de cabeça vazia e desmaios. Pode, também, causar um afinamento das paredes do coração e, em mulheres, uma parada da menstruação. Outro resultado da anorexia pode ser a osteoporose ou uma diminuição na densidade óssea. Eventualmente, a anorexia não tratada pode levar a desnutrição grave, parada cardíaca e morte.

O uso de métodos purgativos por um longo tempo pode causar desidratação, além de lacerações no esôfago e no estômago. O ácido do estômago, que sobe com a comida na hora do vômito, pode causar erosão dos dentes, problemas nas gengivas, e inchaço das glândulas salivares. Além de ocorrer perda de vários minerais vitais como o sódio e o potássio, desequilibrando eletroliticamente nosso organismo, causando dores musculares, câimbras, arritmias cardíacas e, eventualmente, a morte.

O comer compulsivo não seguido de purgação leva à obesidade, risco de pressão alta, colesterol alto, pedras na vesícula, ataque cardíaco, problemas respiratórios e, com freqüência, diabetes.

A relação entre transtornos alimentares e diabetes

Embora ainda não existam dados concretos que afirmem que os transtornos alimentares são mais comuns em diabéticos. Isso parece altamente provável, porque o diabetes pode ser um “trampolim” natural para um transtorno alimentar, pois muitas das causas, sintomas e conseqüências dos dois são similares.

O diabetes pode criar uma preocupação, até mesmo uma obsessão, com comida. E isto pode se tornar um transtorno alimentar. Quando ocorre, a pessoa pode alegar que seus hábitos alimentares rigidamente controlados resultam do regime do diabetes.

Alguns diabéticos podem ver a comida como algo a ser evitado ao invés de consumido de maneira razoável. Este é uma atitude que também pode levar a um transtorno alimentar.

Adolescentes diabéticos, às vezes, sentem que suas famílias se envolvem demais nas suas vidas. Querem se rebelar e se tornar independentes a qualquer custo. Esta rebeldia pode se tornar um controle não saudável sobre a alimentação e o peso.

A perda de peso resultante de um transtorno alimentar pode passar como o resultado de um controle cuidadoso do diabetes. Membros da família e outros podem mesmo parabenizar uma mulher jovem por sua perda de peso, dizendo-lhe que estão satisfeitos que ela esteja tomando conta tão bem do seu diabetes. Na realidade, eles estão inadvertidamente reforçando um transtorno alimentar oculto.

Por isso, não é de surpreender, que um transtorno alimentar em alguém com diabetes possa levar anos para ser detectado.

O fator insulina

Os transtornos alimentares e o diabetes se encaixam ainda de uma outra maneira, que pode ser bastante perigosa.Quem toma insulina tem acesso fácil a um método único de perder peso, apenas baixando ou pulando uma dose de insulina.

Quando o diabetes e os transtornos alimentares ocorrem juntos o resultado pode ser a morte.

Transtornos alimentares e diabetes juntos: um grande perigo

Embora os transtornos alimentares prejudiquem a todos, eles são particularmente perigosos para pessoas com diabetes do tipo 1 ou 2.

A hipoglicemia, ou glicose baixa no sangue, é um risco quando a comida é restringida, refeições são puladas ou os alimentos são purgados (eliminados através de vômitos ou uso de laxantes).

A hiperglicemia, ou glicose alta no sangue, pode levar ao quadro de cetoacidose (coma diabético), que é uma situação grave e de emergência.

E quem come e purga, mesmo que tome insulina, não sabe quanta comida foi absorvida antes da purgação. Assim, não se pode julgar se tomou insulina suficiente para cobrir a quantidade de alimento que foi absorvida.

Como pessoas que têm diabetes e transtorno alimentar mantêm glicemias elevadas por muito tempo, apresentam maior risco de complicações do diabetes, que podem afetar todos os sistemas do corpo.

Dicas para ajudar a prevenir um transtorno alimentar

O controle ideal do diabetes requer uma alimentação saudável. Entretanto, um plano alimentar extremamente rigoroso pode colocar uma pessoa no caminho dos transtornos alimentares.

Seguem algumas dicas para manter um plano razoável e satisfatório:

- Cuide para que, pelo menos, algumas porções de comidas que você gosta estejam em seu plano alimentar, mesmo que contenham açúcar e gordura;

- Aprenda a ser flexível com o seu plano alimentar. Quando uma fatia de torta de maçã parecer deliciosa, substitua outros carboidratos por esta fatia, para que possa comê-la;

- Evite uma atitude “tudo ou nada”. Se comer algo inadequado, não pense que o dia está estragado e, portanto, pode comer tudo o que quiser que não vai fazer diferença;

- Não espere perfeição de si mesmo, especialmente na sua dieta;

-  Considere consultar-se com uma nutricionista familiarizada com diabetes para lhe ajudar a elaborar um plano alimentar razoável e saboroso.

E se eu tiver um transtorno alimentar?

Se sua família e amigos estão constantemente lhe dizendo que você está muito magro; se você se sente envergonhado por comer demais e se livra da comida secretamente ou se você prefere comer sozinho porque a quantidade de alimentos que ingere é muito grande, então você pode estar desenvolvendo um transtorno alimentar.

Se este é o caso, precisa de ajuda profissional. É muito difícil tratar um transtorno alimentar sozinho.

Seu terapeuta pode colocá-lo em um grupo ou em terapia individual. Encontrar outras pessoas com os mesmos problemas, sob a supervisão de um profissional, pode ajudar a lidar com o problema mais facilmente.

Por isso, pertencer a um grupo de apoio é tão importante. Considere, também, envolver sua família no tratamento. A comunicação inadequada entre os familiares, à incapacidade de resolver conflitos e expectativas irreais da família podem ser partes do seu problema.

Também, procure uma ou mais organizações dedicadas a ajudar pessoas com transtornos alimentares. Elas podem lhe fornecer literatura sobre o assunto e indicar nomes de profissionais, na sua região, especializados neste tipo de tratamento.

Ana_Lyse
TOPO

 
borda   borda