Home Page
top  
 

Educação em Diabetes - “O Acordo”

drandre.jpg (6554 bytes)Dr. André Abrahão
(Consultor médico-científico da Associação Carioca de Diabéticos)

Talvez o maior desafio ao tratamento do diabetes seja realmente alcançar a sintonia entre as partes. De um lado, o médico com o ideal, o cientificamente comprovado, encontrado em qualquer livro. Do outro, a limitação, a realidade alcançável, ou seja, o paciente. Entre os dois, uma ferramenta poderosa, muitas vezes deixada em segundo plano: a comunicação.

Sem falar a mesma língua é impossível exercer uma comunicação e da mesma forma, se a linguagem do médico for muito distinta do compreendido pelo paciente, de nada adiantou. De efetivo, apenas a admiração infrutífera: “como este médico fala difícil!!!”

Cada vez mais vemos a palavra educação ser pronunciada no tratamento de doenças crônicas como é o caso do diabetes. Entretanto, alguns médicos ainda se irritam ao ver que o seu paciente não cumpriu tudo o que lhe foi dito. Muitos ainda não enxergam que entre o ideal dos livros existe a realidade do dia-a-dia, num mundo pouco adaptado e bastante preconceituoso.

Hoje em dia não temos mais dúvidas que o tratamento é um acordo entre as partes, onde cabe muito mais ao médico entender as limitações dos pacientes. Mas um acordo verbal e sem punições normalmente previstas, como num contrato.

O relacionamento médico-paciente melhorou bastante, mas ainda tem muito para evoluir. A linguagem hoje aceita não deve ser mais do tipo “tome este remédio e coma verduras no almoço e no jantar”. O acordo deve aparecer e substituir esta expressão por “como você se sente tomando este remédio de manhã? Das verduras existentes, qual você mais gosta?”. O acordo envolve uma parceria e não uma imposição de cima para baixo, onde o paciente cumpre - quando cumpre -, com medo e com muita culpa ao burlar qualquer das regras impostas.

O paciente espera que o médico entenda suas expressões corriqueiras, que até o dicionário já compreendeu e aceitou. Mas espera também que a consulta não seja um julgamento, com sentenças e condenações. Todos queremos ser compreendidos e na condição de pacientes, com certeza, queremos mais.

Os médicos aprendem uma linguagem indecifrável nas faculdades que garantirá uma distância dos outros que não forem seus iguais. Vivem estudando e buscando novos tratamentos que amenizem as queixas de todos. Vivem muitas vezes distantes de uma realidade que tão próxima, mas se cegam por não conseguir sentir na pele o problema do paciente. Estudar e trazer o que há de mais novo sem dúvida é muito importante, mas de que adianta tudo isto, se o sucesso e o ideal é tão somente a melhoria da saúde do nosso semelhante e isto definitivamente não está tão longe?

Mas como entender o que o paciente sente? Somente nos colocando no lugar de cada paciente. Quando o paciente perguntar “Doutor, insulina dói?” Se respondermos sim ou não sem nunca termos sentido a picada de uma agulha de insulina estaríamos, antes de mais nada, mentindo. Quando olharmos para o paciente mais gordinho e queixarmos “Por que você não sobe os cinco lances de escada ao invés do elevador?”, sem nunca termos experimentado fazer exercício com um fardo pesado, estaríamos sendo também negligentes. Se criticarmos sempre porque o paciente não cumpriu a dieta sem lembrar que a realidade não é tão fácil, o acesso aos alimentos não é tão regular e que a vida não pode ser tão rígida, estaremos sendo também inconseqüentes.

Desta forma, vários cursos baseados em vivências tentam fazer o médico entender o que é passar por diversas dificuldades em se ter uma doença crônica num mundo ainda pouco adaptado. Certamente, os cursos baseados em sensibilizar não somente o médico, mas toda a equipe multidisciplinar em diabetes têm muito valor e cada vez mais devem ser estimulados.

Um exemplo destes cursos é o DESG (Diabetes Education Study Group), um grupo de estudo de educação em diabetes ligado à Associação Européia de Diabetes, que vem realizando uma empreitada interessante em todo o mundo e, particularmente, no Brasil. O foco é o profissional de saúde, mas o sucesso é medido numa melhor qualidade de atendimento para o paciente com diabetes.

Portanto, a comunicação que trará o famoso acordo, não pode ser negligenciada. Um exemplo prático e recente destas iniciativas encontra-se no "Guia da alimentação saudável para o diabetes". De forma clara, com linguagem adaptada para o paciente e com personagens que ilustram e humanizam as importantes informações, este guia pretende demonstrar a preocupação dos médicos com o entendimento pelos pacientes das informações cientificamente comprovadas e úteis na melhora da qualidade de vida.

Se você está entrando neste site e lendo todas as informações, não esqueça de que é um privilegiado neste nosso país. A maioria das pessoas ainda não tem acesso sequer a um folheto educativo. Então, cumpra você também a sua parte. Divulgue o site. Imprima as informações mais importantes e dicas em saúde. Cobre sempre do seu médico informações e mais diálogos, mas não se esqueça: faça você também a sua parte para que este acordo possa dar certo.

Sucesso e muita saúde!!!

Tio_juliao_Florentina
TOPO

 
borda   borda