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Hipertensão Arterial
Menos sal e mais exercícios para um melhor controle

Dr. Vagner de Almeida Montes
Cardiologista

Poucas doenças são tão traiçoeiras quanto a hipertensão, que chega a afetar de 15 a 20% de toda a população mundial. Além de ser um dos principais fatores de risco de morbidade e mortalidade do aparelho cardiovascular, a hipertensão é responsável por cerca de 40% dos casos de aposentadoria e de falta ao trabalho em nosso meio, tendo, portanto, um alto custo social.

Muito raramente, a hipertensão dá sinais enquanto está minando o sistema circulatório de suas vítimas, até produzir efeitos extremamente maléficos e, inúmeras vezes mortais, como insuficiência cardíaca e o derrame cerebral. Por isso, é tida pelos próprios médicos como a “assassina silenciosa”.

Apesar de tudo, a hipertensão tem um grande diferencial sobre outras doenças: seu diagnóstico depende apenas de uma simples medição da pressão arterial. Ainda que a hipertensão tenha um forte componente genético e, em geral, não possa ser evitada, ela pode ser controlada com mudanças no estilo de vida e/ou medicamentos. Na maioria dos casos, basta reduzir o consumo de sal, controlar os hábitos alimentares, adotar o costume de caminhar ou deixar de fumar, por exemplo.

Por isso, a tomada da pressão arterial deve ser estimulada e realizada em toda consulta, não importando a especialidade do médico. Evite a tomada de pressão em farmácias e drogarias.

Campanhas governamentais

O Ministério da Saúde vem promovendo campanhas de prevenção, com a finalidade de estimular as pessoas a descobrirem seus níveis de pressão arterial e procurarem um tratamento, caso sejam hipertensos. Medir a pressão habitualmente pode ser a diferença entre a vida e a morte. Não há a necessidade de transformar a medição da pressão em ato obrigatório, mas é importante saber que uma medição, vez por outra, é muito importante. Com todos os recursos e conhecimentos disponíveis atualmente, evitar a hipertensão não é nem um pouco complicado.

O sal não é o único vilão da história, embora possa ser um veneno nos casos dos hipertensos com maior sensibilidade. Os hipertensos que me desculpem, mas sua alimentação naturalmente tem que ser um pouco mais insossa e o principal é saber usar o sal com sabedoria.

Não levar o saleiro à mesa é o cuidado número 1 a ser tomado para não fazer do sal um inimigo da pressão, já que o sal de cozinha (cloreto de sódio) interfere nos mecanismos que regulam a pressão arterial. Evitar os famosos “salgadinhos” nas festas ou nos finais de semana.

Dicas

Como os níveis de pressão arterial podem ser influenciados por inúmeras situações, recomenda-se que o paciente, ao medir a pressão arterial:

  • Não esteja com a bexiga cheia;
  • Não tenha praticado exercícios físicos, ingerido bebidas alcoólicas, café, alimentos ou fumado até 30 minutos antes da medida;
  • Descanse entre 5 e 10 minutos;
  • Não fale durante a medição.  

O ideal é que se faça duas ou três tomadas da pressão, em dias alternados, para se chegar a um diagnóstico mais preciso.

Quando a pressão está alta?

Os números são arbitrários e as classificações não são suficientes. A necessidade de se criar uma regra, em relação à pressão arterial, nos obriga a uma definição para que separemos os indivíduos normais dos doentes.

Em verdade, podemos ter mais ou menos risco cardiovascular acima ou abaixo do número estabelecido como limite. O que é aceito como normal para pessoas acima de 18 anos de idade são valores inferiores a 130mmHg por 85mmHg. Para diabéticos, que têm um risco adicional pela própria doença, o nível ótimo deve ser mantido em 130mmHg por 80mmHg.

As vantagens de se manter a pressão nos níveis normais são absolutamente evidentes em todos os estudos já realizados. A hipertensão é um dos principais fatores de risco da humanidade e seu controle, evitando ou retardando acidentes cardiovasculares, pode representar uma sobrevida de alguns anos.

Como conviver com a hipertensão e viver bem

A hipertensão é uma doença constitucional. Ou seja, suas vítimas, por influência genética, já nascem mais ou menos predispostas a ter pressão alta. Um indivíduo com pai e mãe hipertensos tem até 75% de risco de ter pressão alta em algum momento da vida. Se apenas o pai ou a mãe tiver essa condição, o risco cai para 50%, mas ainda assim é bastante alto. Mas, apesar desse estigma genético, a hipertensão pode ser bem controlada sem remédios, apenas com uma mudança no estilo de vida.

Aí vão algumas medidas básicas que podem normalizar e, depois, manter a pressão arterial em níveis aceitáveis.

O ideal é que se faça duas ou três tomadas da pressão, em dias alternados, para se chegar a um diagnóstico mais preciso.

  • PERDA DE PESO: A perda de peso é, sem sombra de dúvidas, uma das medidas mais eficientes na redução da pressão arterial. Presume-se que, a cada quilo perdido, a hipertensão seja reduzida em 0,1mmHg. Muitos hipertensos conseguem normalizar sua pressão apenas perdendo peso, sem necessidade de remédios.

  • ATIVIDADE FÍSICA: A atividade física também é de suma importância. Além de reduzir a pressão arterial, a atividade física ajuda a reduzir a dose de medicamento, chegando mesmo, em muitos casos, a eliminar a necessidade de usá-los, além de controlar outros fatores de risco, normalmente associados à hipertensão como obesidade, colesterol elevado, diabetes e o estresse. Cuidado, porque exercícios inadequados trazem risco potencial elevado, como, por exemplo, a musculação com carga elevada, para ganho de força e massa muscular.

    Antes mesmo de começar a atividade física, o ideal é fazer um teste ergométrico, principalmente, se tiver outros fatores de risco cardiovasculares associados.

    O tipo de exercício ideal para o hipertenso é o aeróbico, feito de três a cinco vezes por semana, com duração de 40 a 50 minutos e intensidade de leve a moderada, ou seja, 50 a 70% da freqüência cardíaca.

  • RESTRIÇÃO DE SAL: O sal é, sem dúvidas, prejudicial a cardíacos e hipertensos. Os brasileiros têm o péssimo costume de comer com o saleiro na mesa da refeição e, mesmo quando a comida já está com sal suficiente, gosta de colocar um pouquinho a mais de sal.

    Em média, o brasileiro consome de 8 a 12 gramas por dia de sal, o que vem a ser intolerável para um hipertenso. O consumo máximo diário para um hipertenso moderado é de 4 gramas ou uma colher das de chá de sal. Essa quantidade seria suficiente para não deixar a comida insossa.

    Não podemos nos esquecer que muitos alimentos que usamos no dia-a-dia já contêm sal. Conservas, defumados, embutidos, bacalhau e até caldo de carne em pacote, já contêm sal. Salgadinhos como azeitonas, amendoim de pacote e batatas chips, são uma delícia, mas são verdadeiros croquetes de sal. Evitá-los é a palavra de ordem. Ficando no limite de 4 gramas e não se utilizando de sal à mesa, qualquer pessoa estará bem servido e protegido, principalmente o hipertenso.

    Uma salada, por exemplo, pode perfeitamente ser temperada com vinagre, azeite, páprica e um pouco de mostarda (que já vem com sal). Os hipertensos mais severos, entretanto, precisam limitar seu consumo de sal a 2 gramas diárias. Para eles a comida ficará mais insípida, mas este é o preço que se paga pela manutenção da saúde.

    Sem dúvida, existem pessoas mais sensíveis ao sal. Nestas, a ação do sal é mais maléfica em termos de aumento de pressão e, provavelmente, necessitarão de um diurético associado. Mas, uma pessoa que não seja sensível ao sal e não esteja geneticamente predisposto à hipertensão, pode comer sal à vontade.

  • NÃO FUMAR: O cigarro provoca a vaso constrição das artérias e contribui muito para elevar a pressão arterial.

  • NÃO ABUSAR DO ÁLCOOL: Mais de uma lata de cerveja, dois cálices de vinho e uma dose de uísque, por dia, já interferem com os mecanismos da pressão arterial

Tio_juliao_Florentina
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