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Atividade física para os diabéticos: quais os benefícios e os riscos?

edufisica.jpg (6599 bytes)Daniel Lourenço Caputo
Tetra-campeão Estadual de Karatê
Bi-campeão Brasileiro
3º lugar no Mundial Aberto WKC
Faixa Preta - 2º Dan de Karate-Do Shotokan
Professor de Educação Física pela UFRJ
CREF: 9422 - G

Há alguns anos acabou-se a idéia de que o diabético não poderia praticar atividades físicas. Pelo contrário, a cada dia, mais e mais médicos e professores de educação física comprovam através de estudos que o exercício bem orientado e o diabético bem controlado tendem a apresentar ótimos resultados. Entretanto, o diabético mal controlado só tende a piorar seu quadro clínico.

O exercício físico provoca aumento expressivo no gasto de energia, o que exige ajuste metabólico e endócrino preciso. Em um indivíduo não-diabético, durante e após o exercício físico ocorre aumento na captação de glicose para “alimentar” as células, que é contrabalançado por um aumento na produção endógena de glicose, fazendo com que a glicemia não se altere. Entretanto, no indivíduo diabético com insuficiência de insulina, o exercício físico pode aumentar ainda mais o nível da glicose, pois o organismo não será capaz de colocar a glicose (fonte de energia) para dentro das células, ficando em excesso na circulação sanguínea.

A atividade física bem orientada, traz benefícios aos portadores de diabetes, tais como melhora da capacidade aeróbia e redução da pressão arterial, prevenindo, portanto, doenças cardiovasculares. Dessa forma, as atividades físicas esportivas e recreacionais devem ser feitas pelos indivíduos diabéticos, desde que algumas precauções sejam adotadas para se reduzir os riscos de problemas agudos durante e após os exercícios.

Mas quais são os cuidados que devemos tomar ao fazer uma atividade?

Um dos pontos fundamentais é prestar bastante atenção na glicemia antes de se iniciar a atividade. Constatar se a glicose não está muito baixa (abaixo de 150 mg/dl) ou muito alta (acima de 250 mg/dl). Se fizermos atividades físicas com a glicemia acima deste valor, em vez de benefícios, estaremos trazendo prejuízos para nosso organismo, além do que, a glicemia pode subir ainda mais. É importante também monitorar a glicemia depois da atividade, pois assim podemos saber se o que consumimos antes da atividade (carboidratos, frutas ou barras energéticas) foi suficiente ou em demasia. Por isso é importante o acompanhamento de um nutricionista, endocrinologista e um professor de educação física. Tem que existir um equilíbrio entre o que está sendo gasto e que está sendo consumido.

Outro ponto importante é o horário de aplicação da insulina. Devemos prestar atenção para que o horário de pico de ação dela não coincida com o horário da atividade. E só vamos saber disso fazendo as glicemias.

Uma grande preocupação para o diabético é o local da injeção de insulina antes do exercício. A insulina injetada na coxa antes da corrida (ou outras formas de exercício onde a predominância sejam os membros inferiores) provoca um aumento da velocidade de absorção da insulina em decorrência do aumento do fluxo sanguíneo nas pernas. Isso pode causar uma hipoglicemia durante o exercício. Conseqüentemente o abdome passou a ser recomendado como o local primário das injeções, tendo em vista que é uma região distante dos braços e das coxas, que costumam ser mais solicitadas. Outro cuidado importante é o calçado utilizado. Meias de algodão macias sempre limpas e secas e calçados confortáveis, para evitar bolhas e frieiras nos pés.

Em relação às hipoglicemias, carregar consigo açúcar puro, uma bala que dissolva rapidamente ou repositores energéticos que contenham glicose, bem coom um lanche rico em carboidratos nos treinamentos, pode auxiliar no tratamento de episódios inesperados.

Quais os benefícios que a atividade física pode me trazer?

A atividade física, principalmente a aeróbia, aumenta a quantidade das lipoproteínas de alta densidade (HDL), que protegem o coração contra problemas coronarianos. O aumento da vascularização é uma adaptação fisiológica do organismo que ocorre, principalmente, através de estímulos aeróbios.

A melhora da vascularização advém da ativação funcional de vasos inativos, ocorrendo não só na musculatura esquelética, mas também no músculo cardíaco. O aumento de vasos colaterais no coração ajuda a manter eficiente a circulação sangüínea, diminuindo assim a possibilidade de infarto do miocárdio.

Outros benefícios são notórios a médio e longo prazo: melhoras no fluxo sangüíneo e distribuição do sangue, melhoras no VO2 (volume de oxigênio) máximo, freqüência cardíaca máxima e reserva de glicogênio muscular e hepático. Ocorre também diminuição da freqüência cardíaca e pressão arterial de repouso, incremento da força e resistência, ganho de massa muscular e melhora do fornecimento e utilização do oxigênio.

Além disso é importante lembrar que ocorre diminuição da gordura corporal, tendo em vista que após 20 a 30 minutos de exercício, ela passa a ser fonte primordial de energia, proporcionando perda de peso.

O exercício obriga o organismo a utilizar maiores quantidades de glicose, melhorando a relação glicose - insulina - tecidos, através do aumento da sensibilidade dos tecidos à insulina, diminuindo, desta maneira, a necessidade de insulina no transporte de glicose para dentro dos tecidos. Esse efeito pode levar à redução na administração de insulina. O diabético que pratica esporte rotineiramente tem um controle mais estável com menos doses de insulina. Portanto: viva melhor e com mais saúde e qualidade de vida praticando algum esporte ou atividade física regularmente!

Tio_juliao_Florentina
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