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Cetoacidose diabética - você sabe o que é?

RosaneDra. Rosane Kupfer
A nossa convidada do mês é a Dra. Rosane Kupfer, chefe do Serviço de Diabetes do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia do Rio de Janeiro (IEDE). Em seu depoimento, a especialista optou por fazer um relato de uma situação que já observou no seu dia-a-dia. Com esta história ela explica melhor a todos vocês o que é a cetoacidose diabética.

- Dra Rosane, minha irmã está se sentindo muito mal, com fraqueza, muita sede, dificuldades para respirar. Há uns dois dias ela está com os testes de glicose muito altos e me disse que não teve tempo para corrigir com a insulina rápida.

Assim que recebi este telefonema, percebi que haveria necessidade de atender a paciente em Unidade de Emergência, pois parecia tratar-se de um caso de cetoacidose diabética (CAD). Mas você sabe o que é isso e como agir?

Costuma-se dizer que a cetoacidose diabética é o grau máximo de descompensação do diabetes que ocorre quando o açúcar (glicose) se mantém alto no sangue durante algum tempo. Pode ocorrer quando o paciente deixa de tomar a insulina, interrompe o tratamento ou quando deixa de ajustar as doses em caso de aumento de sua necessidade, como por exemplo quando come além do planejado.

Outros exemplos quando a cetoacidose pode ocorrer são as infecções e as cirurgias de emergência. Nestas situações, o organismo libera hormônios que se contrapõem a ação da insulina, elevando portanto, a glicose. Na pessoa que não tem diabetes a insulina também é liberada na tentativa de manter o equilíbrio. No caso do paciente diabético, como isto não ocorre, torna-se necessário fazer a automonitorização (realizar testes de glicemia capilar no dedo) com intervalos menores de tempo, com a correção através do uso de insulina rápida ou ultra rápida, de acordo com a orientação médica.

Outras situações também requerem atenção. Uma delas é quando há necessidade de fazer uso de corticóide em doses elevadas, o que eventualmente acontece em pacientes diabéticos com asma.

A CAD pode ser classificada em leve, moderada ou grave. Em estágio mais leve pode ser tratada em casa, sob orientação médica, ou em uma curta internação hospitalar de 4 a 6 horas. A CAD moderada e a severa requerem internação em unidade semi intensiva e, às vezes, em unidade de terapia intensiva.

A intensa poliúria (aumento da quantidade de urina eliminada) leva a desidatração, é uma outra situação onde a CAD pode aparecer. Na tentativa de conseguir mais nutrientes o organismo, passa a produzir mais glicose, piorando ainda mais a hiperglicemia. Há um aumento da “queima” de gorduras que acabam sendo transformadas em corpos cetônicos - que é a marca da cetoacidose.

Pode se perceber a presença da CAD, através do hálito cetônico (de maçã azeda) nos pacientes. O fato pode ser confirmado em casa, com a dosagem da cetona na urina (fita para dosagem de cetonúria) ou no sangue, também com um aparelho especial que mede a cetona no sangue (teste no dedo).

Para um correto diagnóstico são necessários: a colheita de exames laboratoriais como a glicemia; dosagem de corpos cetônicos no sangue ou detecção na urina e dosagem da reserva alcalina (bicarbonato). Outros exames incluem: hemograma, uréia, creatinina, sódio, cloro, potássio, gasometria arterial ou venosa, fósforo, magnésio, RX de tórax, cultura de urina e eletrocardiograma.

Tudo pode ser revertido através do tratamento. Este inclui: a hidratação venosa (geralmente o paciente encontra-se nauseado e bastante desidratado), a insulina por via endovenosa (nos casos leves poderá ser usada a via subcutânea) e a reposição dos eletrólitos. Se houver algum fator precipitante, como a infecção, esta deverá ser tratada concomitantemente.

Em geral, os pacientes com diabetes tipo1 apresentam algum grau de cetoacidose na ocasião do diagnóstico do diabetes. Posteriormente, no acompanhamento, dificilmente apresentarão novo episódio caso sigam seu tratamento de forma adequada. Portanto, o melhor “tratamento” da ceteacidose diabética, a meu ver, é a sua prevenção.

Tio_juliao_Florentina
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